AS POLÍTICAS DO ESTADO E AS POLÍTICAS DAS EMPRESAS: O CASO DO CIRCUITO ESPACIAL DE PRODUÇÃO DE EMBARCAÇÕES EM NITERÓI E SÃO GONÇALO

Maíra Neves de Azevedo

Resumo


A presente pesquisa visa analisar o papel das cidades de Niterói e São Gonçalo, localizadas no Estado do Rio de Janeiro, no circuito espacial de produção de embarcações. Busca-se compreender as dimensões produtiva, geográfica e institucional do circuito, quais seriam seus principais atores e quais normas o organiza. Com uma pesquisa preliminar constatamos que os estabelecimentos ligados à indústria naval em Niterói e São Gonçalo remontam ao período colonial e a primeira república. Entre 1940 e 1970 o Estado se fortalece como grande impulsionador para a ampliação da frota nacional de navios mercantes, chegando a seu apogeu entre 1970 e 1980, quando a indústria naval brasileira passou a ser considerada a segunda maior do mundo, com mais da metade dos trabalhadores do ramo concentrados nos dois municípios. Após um grande período de crise e quase extinção de estaleiros nos municípios entre os anos 1980 e 1990, no início dos anos 2000 observa-se os primeiros sinais de retomada dos estímulos do governo federal para a indústria naval. Ao longo da referida década foram lançados diversos programas para a revitalização do ramo no Brasil voltando-se principalmente para a exploração de petróleo offshore, cita-se o Promef. Percebe-se que o Estado exerce o papel de agente central para impulsionar o circuito espacial de produção de embarcações no Brasil. Se essa dependência traz grande demanda para a produção de navios, atualmente essa posição causa uma das maiores crises já vistas no ramo. Torna-se, portanto, essencial analisar os desafios apresentados ao circuito e as consequências para a população em decorrência dessas oscilações recorrentes.

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Seminários Espaços Costeiros. ISSN 2447-732X