v. 4, n. 1 (2015)


Capa da revista

Desenhos em Movimento

2004-2014

A arte da capa foi realizada durante o trajeto de um ônibus em Salvador, Bahia. Foi motivado pela confusão lúdica e criativa que sempre me animou ao me deslocar por esse meio de transporte em Salvador.

Com um caderno sobre as pernas ou em pé, os desenhos dessa série buscam refletir as condições singulares dentro do ônibus (subida de vendedores ambulantes, compartilhamento de livros ou outro objeto entre passageiros em pé e sentados etc.), tentando imprimir movimentos efêmeros ao percurso: as viradas, as ladeiras, as paradas bruscas, as arrancadas, o balanço das pistas acidentadas...

Como renovar o traço do desenho em condições que não são propícias à sua realização? Este é o objetivo da série de desenhos “The Space of Drawings”. Assim, o que podemos desenhar no momento de turbulências em avião, conduzindo uma bicicleta, dentro de um elevador lotado, antes de dormir ou mesmo andando a pé em uma encruzilhada noturna? O que desenhamos quando uma pessoa na rua segura o caderno para nós e anda ao seu lado? O que desenhamos em um espetáculo de dança, no cinema, no teatro quando a sala é pequena e escura?

Estes desenhos emergem de instalações, performances e acontecimentos.

Na série “Unshaped Letters”, os desenhos buscam brincar com o traço da letra e multiplicar a ambiguidade entre a lembrança de uma letra adquirida ou conhecida e um traço revelador de um movimento. Esta série refere-se a instalações e performances (“World and Landscape in the Desert of Sertão”, “Word and Lansdscape with the Combi” etc.) que querem desconsertar o sentido da língua e multiplicar as possibilidades de comunicação imediata com as coisas e com nós mesmos para nos unirmos à natureza.

Por exemplo, na performance “Word and Space”, o objetivo foi de convidar o público a materializar o sopro de suas palavras e de cartografar a trajetória do sopro. Escreve-se, em bolas de aniversário, palavras com um pincel molhado de tinta. Cada um com sua própria cor de tinta. Em seguida, solta-se a bola e, ao voar, ela entra em contato com diferentes pontos de impacto, materializando na parede onde toca a trajetória da palavra.

 

Gonzague Verdenal

Artista franco-canadense e mestre em relações internacionais pela Université du Québec à Montréal, Canadá. Desenvolve uma prática artística multidisciplinar, envolvendo performances, happenings, instalações interativas e desenhos. Sua prática é desenvolvida a partir da interatividade lúdica, da mestiçagem cultural e da mistura de abordagens sobre a linguagem e a imagem. Seu trabalho foi apresentado no Brasil, na França e no Canadá.