Percepções Temporais e Controle: Um Estudo com Trabalhadores de Call Center

David Silva Franco, Kely Cesar Martins de Paiva, Michelle Regina Santana Dutra

Resumo


O objetivo deste estudo analisar como trabalhadores de call center se percebem temporalmente e como lidam com os instrumentos de controle temporal impostos pela organização de trabalho. O referencial teórico focalizou os modos de gestão do tempo nas organizações, as cinco dimensões temporais apresentadas por Bluedorn e Jaussi (2007) e o trabalho em call centers. Empreendemos uma pesquisa empírica descritiva, com abordagem qualitativa e análise de conteúdo de 19 entrevistas realizadas com operadores de telemarketing – a partir de um posicionamento interpretacionista. Observamos que a maioria dos entrevistados prefere trabalhar de modo monocrônico, veloz, pontual e focado no futuro, além de terem o arrastamento por condução. Complementarmente, concluímos pela preponderância de instrumentos de controle exercido pela empresa sobre o empregado no que tange suas percepções e experiências temporais, pois, além de ele não poder adotar comportamentos considerados mais confortáveis, seu tempo é continuamente pressionado. Os resultados possibilitam reflexões sobre o precário trabalho do operador de telemarketing, algo que não se torna superável pela simples redução de sua jornada de trabalho.


Palavras-chave


Tempo. Controle. Percepções temporais. Call center.

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