A ‘Ideologia de Gênero’ no Brasil: conflitos, tensões e confusões terminológicas

Elder Luan dos Santos Silva

Resumo


O discurso da ideologia de gênero tem se reproduzido entre os setores conservadores, especialmente entre cristãos das igrejas católicas e protestantes, e parlamentares das bancadas do Boi, Bala e Bíblia, que durante (e após) o processo de aprovação do Plano Nacional de Educação (2014) e da Base Nacional Comum Curricular (2017) se posicionaram contra o estudo e discussão de questões relacionadas a gênero e sexualidade nas escolas públicas brasileiras. Nesse processo, uma série de inverdades sobre as noções de gênero e sexualidade foram produzidas e localizadas como parte da teoria feminista e dos estudos sobre gênero e sexualidade. Meu objetivo nesse trabalho é produzir um contra discurso à Ideologia de Gênero, apontando as suas deficiências, incompreensões e confusões terminológicas produzidas com o intuito de instaurar um pânico moral e combater os direitos das mulheres e LGBTs, que em consequência acabam incentivando e legitimando a violência de gênero e lgbtfobia. O texto está organizado nas seguintes partes:   introduzo a discussão refletindo sobre a transformação do gênero, sexo e sexualidade em objetos discursivos; apresento a construção discursiva de gênero como um aparelho ideológico; reflito sobre o cenário brasileiro e as principais tensões em torno da chamada “Ideologia de Gênero”; em seguida, apresento as construções teóricas em torno do conceito de gênero no movimento feminista; e por fim, sinalizo as incompreensões encontradas na noção de Ideologia de Gênero e as potencialidades que os estudos de gênero têm para o projeto político de eliminação da opressão, subordinação e subalternização das mulheres, e para a construção de uma sociedade mais igualitária.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.9771/peri.v1i10.27923

Rev. Peri. Salvador, BA, Brasil. e-ISSN: 2358-0844

  

 

 

Este periódico está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional