No entre-lugar da criança (des)viada e (des)avisada: A língua afiada corta e nos faz criançar

Alexsandro Rodrigues, Davis Moreira Alvim, Jésio Zamboni, Castiel Vitorino Brasileiro, Pablo Cardozo Rocon, Steferson Zanoni Roseiro

Resumo


O presente artigo tem por objetivo produzir problematizações e deslocamentos nas palavras, imagens e narrativas sobre criança e infância. Usa-se aqui, como efeito de escrita e de afirmação de línguas e corpos babélicos, brincar com as palavras (des)viada e (des)avisada como meio de produção de desconforto na identidade-criança, no dispositivo da infância e, em suas redes de interdependência. O artigo em tela se alia a perspectivas teóricas, metodológicas e políticas profanadoras da identidade e do conforto dos discursos que desejam a mesmidade da identidade-criança como garantia de um mundo adultizado e conformado com o sempre igual. Por isso, as apostas aqui feitas no entre-lugar dos tencionamentos com o já sabido nos ajudam melhor a compreender as (des)aprendizagens possíveis diante da presença da criança (des)viada e (des)avisada, em sua capacidade de fronteirar campos existenciais em um já saindo. Nos valemos de um conto sobre crianças fujonas na intenção de colocar em cena outros híbridos modos de existir no fora-meio-dentro da planificação das instituições de sequestro. O artigo intenciona provocar o riso, o desconforto e colocar sobre suspeita o que sabemos sobre nós, sobre a criança e a infância (des)viada e (des)avisada, que em seus exercícios criativos e resistentes com o corpo, com o outro, com gênero e sexualidade e não só, afirmam a vida com um convite ao direito de nos permitir criançar.

 


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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/peri.v1i9.25646