Sapatão é revolução: Censura, erotismo e pornografia na obra de Cassandra Rios

Claudiana Gois Santos

Resumo


Resumo: Um panteão de prostitutas, adúlteras, ninfetas e devassas lésbicas de toda ordem tem sido utilizado no leito da literatura “para ler com apenas uma das mãos”. Nota-se nesse tipo de narrativa o tom transgressivo que na história recente brasileira foi tomado como afronta à imposição de uma rígida moral por parte dos militares que estavam no poder. Considerada como uma das escritoras que mais evidenciou protagonistas lésbicas na literatura brasileira, Cassandra Rios tem uma vasta obra desconsiderada por parte da crítica canônica, relegando-a à subliteratura. Outra parcela da crítica enxerga suas obras como propagação de um discurso moralista a respeito da homoafetividade feminina. O consenso da crítica encontra-se apenas no fato de sua obra ser repleta de elementos eróticos e/ou pornográficos. Devido à grande produção da autora, o enfoque deste trabalho incidirá sobre as publicações do período entre 1964 e 1985, quando o estado brasileiro sofreu um golpe militar, que culminou em mudanças políticas e sociais e interferiu na produção artística e intelectual nacional. O presente artigo pretende discutir como Cassandra Rios, por meio de um discurso aparentemente popular, conseguia levar a um grande número de leitores questões sobre a subjetividade de uma parcela da população estigmatizada durante um tempo de censura rígida da produção literária.


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