Futebol, arte e política: a catarse e seus efeitos na representação do torcedor

Bernardo Borges Buarque de Hollanda

Resumo


O presente artigo acompanha os desdobramentos do conceito de catarse na tradição filosófica ocidental. Seu intuito é compreender como se deu a passagem do elemento catártico, originado nos domínios do teatro, para o universo esportivo na vida contemporânea. Para isto, analisa-se a maneira pela qual os princípios aristotélicos de representação dramática, cujo efeito sobre o público espectador seria o escoamento das tensões, foram deslocados das artes cênicas para os esportes no século XX. Tal deslocamento permite que se entenda o preconceito intelectual em torno do futebol, visto como fenômeno de alienação das massas, sucedâneo da religião como “ópio do povo”. Com base nos apontamentos do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, procura-se uma via alternativa dentro da própria tradição marxista, capaz de identificar na experiência dos esportes a desconstrução da “ilusão” cênica, o que se torna possível graças à nova percepção do papel do espectador na modernidade.

Palavras-chave


Arte. Filosofia. Literatura. Esporte. Espectador. Torcedor.

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Organizações & Sociedade (O&S) - ISSN (Online) 1984-9230 / (Impresso) 1413-585X

 

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