AS ORIENTAÇÕES EDUCATIVAS CONTRA-HEGEMÔNICAS DAS DÉCADAS DE 1980 E 1990 E OS REBATIMENTOS PÓS-MODERNOS NA DIDÁTICA A PARTIR DA VISÃO DE ESTUDIOSOS.

Lenilda Rego Albuquerque de Faria

Resumo


Esta pesquisa tem por objetivo analisar a validade científica do ideário pedagógico-didático contra- hegemônico desenvolvido na década de 1980, em face das contestações do modo pós-moderno de pensar. Para tanto, procura dar resposta à questão medular que orienta o estudo: Como os estudiosos que constituíram o movimento da didática crítica, e que tinham suas bases epistemológicas assentadas na dialética marxiana, estão tratando as questões colocadas pela pós-modernidade, uma vez que as proposições desse modo de pensar questionam as principais teses do materialismo histórico-dialético, com implicações epistemológicas e praxiológicas diretas para o campo da pedagogia e da didática? Ainda, como questão subsidiária, indaga: Há um deslocamento epistemológico de uma didática crítica para uma didática pós-moderna? O desenvolvimento da pesquisa dá-se fundado nos estudos de natureza teórica com o recurso à pesquisa bibliográfica e às análises das entrevistas realizadas com quatro estudiosos representativos da área da didática: José C. Libâneo, Maria Rita N. S. Oliveira, Selma G. Pimenta e Vera M. Candau. Tem como pressuposto teórico-metodológico a teoria do ser social de Marx, seu método dialético, a pedagogia como ciência da e para a práxis educativa e a didática como teoria do ensino enquanto totalidade concreta. No tocante ao método dialético, o estudo se faz pautado em Marx (1978; 1988a; 2007), Lukács (1979; 2007), Kosik (1995), Kopnin (1978), Paulo Netto (2006; 2009) e Frigotto (2006); na pedagogia e na didática, dá-se com Saviani (2005b; 2006; 2007b; 2008a), Libâneo (2000a; 2008), Pimenta (2000; 2001; 2005) e Oliveira (1991; 1992). A tentativa de captar as mediações do objeto de estudo conduz ao estudo do modo pós-moderno de pensar, a partir de obras de autores como Harvey (1993), Eagleton (1998), Jameson (2004) e Anderson (2004). Para sustentar a concepção de pós- modernidade, recorre-se também a Wood e Foster (1999) e Paulo Netto (2010). A pesquisa tem as seguintes categorias nucleares: pedagogias contra hegemônicas, hegemonia, pós-modernidade, crítica, práxis, ciência, educação, cultura, pedagogia e didática. Os resultados demonstram, no tocante à questão da pesquisa, que, para todos os entrevistados, a didática crítica não está se metamorfoseando em uma didática pós-moderna, mas indicam a presença das ideias da pós-modernidade na área da didática. No tocante ao modo de lidar dos estudiosos da didática com os referenciais teóricos, sinalizam para a importância e contribuição da didática crítica, em particular aquela inspirada no marxismo, e sua validade nos dias atuais. Essa visão é compartilhada por Oliveira, Libâneo e Pimenta. Há sinalizações para modos distintos de lidar com a teoria de Marx entre esses três autores, ao passo que Candau aponta para uma didática crítico- intercultural, no diálogo com ideias pós-modernas de oposição. A pesquisa conclui pela validade e pertinência científica da posição contra-hegemônica lançada na década de 1980 e que ao longo da década de 1990 tendeu a ser contestada pela visão pós-moderna. Destaca a necessidade e validade da pedagogia histórico-crítica pelo caráter objetivo da formação humana constituinte de suas posições sobre educação e trabalho. A tarefa da didática consiste em contribuir com o desenvolvimento da consciência pedagógica do professor. Em situação de ensino, a finalidade do processo educativo é elevar a compreensão do aluno do nível sincrético ao nível da síntese.


Palavras-chave


Pedagogias contra hegemônicas. Didática crítica. Consciência pedagógica. Materialismo histórico-dialético. Pedagogia histórico-crítica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/gmed.v5i2.9716

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Germinal: Marx. Educ. em Debate, Salvador - ISSN: 2175-5604.