REDES E MUNDIALIZAÇÃO: O DESAFIO DA ADMINISTRAÇÃO. RESGATANDO A NATUREZA POLÍTICA DA DECISÃO PÚBLICA

PAULO EMÍLIO MATOS MARTINS

Resumo


O processo de decisão coletiva para o desenvolvimento sustentável cobra de seus policy makers a competência estratégica de análise crítica da complexa dinâmica de um mundo de novas formas de relacionamento em um espaço “mundializado”. Entre os elementos que determinam a configuração do mundo contemporâneo destacamos: novas tecnologias; novos papéis e novas relações entre os atores em uma sociedade planetária. A integração global de mercados em diferentes estágios de desenvolvimento e as novas tecnologias de informação e comunicação instantânea nem sempre contribuem para a eficácia e a efetividade dos projetos de desenvolvimento nacional . A simples existência de variáveis determinantes da ação pública que se situam fora da esfera de controle de seus gestores é evidência desse fato. Se, por um lado, esse fenômeno não é completamente novo, por outro, a forma radical e a velocidade com que o mesmo ora se manifesta — especialmente para as economias  periféricas — exige de seus planejadores muito mais sensibilidade na  análise dessa dinâmica. Este ensaio reflete sobre essa questão a partir do aparente equívoco da modelagem do mundo globalizado como uma rede (no sentido topológico) e da suposta interdependência dos relacionamentos que esta determinaria entre os seus atores. Como conclusão sugere-se que, embora não se deva confundir o modelo histórico de relação centro-periferia, do tipo colonial-imperial — já superado —, com aquele segundo o qual os países e suas economias ora se relacionam, é prudente admitir que as tão proclamadas simetria e interdependência no relacionamento entre atores globalizados não ocorre e o modelo reticular de representação do mundo atual é menos complexo do que o fenômeno modelado. Daí que a representação do contexto  político mundial dos nossos dias como rede é incapaz de capturar a complexa dinâmica das relações políticas entre esses atores  “mundializados”.

Palavras-chave: Desenvolvimento Sustentável; Ação Pública; Integração Global.


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