DOS NEXOS EFÊMEROS AO FAZER ESTADO: ensaio sobre transversalidade em conferências nacionais de políticas públicas

Fernanda Natascha Bravo Cruz, Doriana Daroit

Resumo


Em 2015, a 15ª Conferência Nacional de Saúde trouxe consigo um eixo chamado por transversal, presente em todos os grupos de trabalho de seu processo deliberativo, abrangendo as três esferas federativas e centenas de milhares de delegados. Em 2016, a 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos era caracterizada por transversal desde seu documento orientador, apresentando-se como momento de convergência de quatro outras conferências nacionais temáticas. Em ambas ocasiões, o transversal foi termo mobilizado não apenas como vetor ou aspecto organizacional, mas também enquanto relevante dispositivo discursivo para defesa de um projeto político democrático, transcendente aos setores que promoviam as conferências, tomando em conta os riscos iminentes da crise política do governo federal. A partir da etnografia que considera a observação de reuniões, mais de cinquenta entrevistas semiestruturadas, análise de documentos e textos acadêmicos, este ensaio coteja sentidos e práticas conferencistas a discursos acadêmicos sobre intersetorialidade e transversalidade, bem como revela situações e conexões possíveis entre transversalidade, participação e táticas de governo.

Palavras-chave


Transversalidade; Intersetorialidade; Conferências Nacionais de Políticas Públicas

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