DIFERENTES CONCEPÇÕES SOBRE O REALISMO NA DÉCADA DE 1930: AS DIVERGÊNCIAS NAS ANÁLISES DE ASTROJILDO PEREIRA E LÚCIA MIGUEL PEREIRA DO ROMANCE VERTIGEM

Jaqueline Borges de Queiroz

Resumo


Era comum, na década de 30, que os críticos literários brasileiros avaliassem as obras fortemente influenciados pelo viés ideológico, como já foi destacado por autores como Bueno (2006), Candido (1987) e Latefá (2000). Alguns, geralmente adeptos da esquerda, costumavam ressaltar apenas os aspectos sociais dos romances; outros, simpatizantes da direita, atribuíam valor aos livros de acordo com o aprofundamento psicológico dos personagens. No entanto, apesar das diferenças, é possível perceber a valorização do realismo nos dois lados, o que provavelmente ocorreu devido ao desejo que havia entre intelectuais do período de expor os problemas do país. Tendo isso em vista, este artigo demonstra as diferenças nas concepções de realismo de Astrojildo Pereira e Lúcia Miguel Pereira, dois importantes críticos da década de 30, por meio de suas respectivas análises do livro Vertigem (1934), de Gastão Cruls. Ambos os críticos ressaltaram o caráter realista do livro, mas enquanto o primeiro creditou este caráter a uma abordagem social, a segunda argumentou ser justamente o tratamento intimista dado pelo autor aos personagens o fator responsável pela aproximação da obra à realidade.

Palavras-chave


Crítica literária brasileira; Realismo; Década de 30; Astrojildo Pereira; Lúcia Miguel Pereira

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Referências


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Créditos da capa: Leila França Rocha (vencedora de concurso realizado no ILUFBA em 2002).