FORMA LITERÁRIA E PROCESSO HISTÓRICO-SOCIAL EM MACHADO DE ASSIS: ASPECTOS DA CULTURA POLÍTICA PATRIMONIALISTA EM “TEORIA DO MEDALHÃO” (1882)

Rafael Lucas Santos da Silva

Resumo



Tematiza-se a dialética entre forma literária e processo histórico-social, buscando atualizar o debate sobre a importância política da produção literária do escritor Machado de Assis (1839-1908), com relação a cultura política patrimonialista do II Reinado (1840-1889). Procurou-se, assim, construir uma análise do conto Teoria do medalhão com base nas reflexões analíticas de Antonio Candido (1918-2017), especialmente no que se refere ao processo a que ele denominou de redução estrutural, o qual Schwarz (2009) e Waizbort (2007) consideram como elemento medular em seu posicionamento metodológico. Sendo assim, ao concordarmos com Candido (2010 [1965]) que na interpretação o processo histórico-social importa “não como causa, nem como significação, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura” (Candido 2010, 18), a nossa  hipótese de leitura é de que a coerência interna da narrativa do conto “Teoria do medalhão” é constituída a partir da redução estrutural do Estado patrimonialista e do estamento-burocrático, fenômenos descritos e analisados pelo jurista Raymundo Faoro (1925-2003) no livro “Os Donos do Poder” (1984).


Palavras-chave


Literatura Brasileira; Redução Estrutural; Patrimonialismo no Segundo Reinado.

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