AQUISIÇÃO FONOLÓGICA INFANTIL DE CONSOANTES LÍQUIDAS EM CODA E ONSET SIMPLES NO PORTUGUÊS EUROPEU (PE)

Calawia Salimo

Resumo


Desde 2010 com trabalhado da Costa (2010) e Amorim (2014), que o processo de aquisição consonântica infantil no português europeu ganhou uma abordagem em profundidade. Um outro trabalho que merece destaque é o de Freitas (1997). O presente estudo reflete sobre aquisição das líquidas em Coda e Onset tendo em conta a geometria de traços (Clemente e Hume (1995) e a posição do segmento na palavra tal como fez Rose (2014). Portanto, o trabalho visava encontrar as estratégias de reparo e as pistas deixadas pelas crianças no processo de aquisição fonológica. Os dados analisados neste artigo foram obtidos através da observação de produção das líquidas em Coda (sentar, alguma, bernabé, real) e Onset (sala, lata, real, cadeira) simples de duas crianças falantes do português europeu como língua materna. A análise de dados mostrou o recurso à diferentes estratégias de reparo entre elas: substituição, alternância e ainda epêntese em coda. Em relação à aquisição baseada na geometria de traço verificou-se que a co-ocorrência dos traços da raiz [+soant, +aprox, +Cons] com os traços da cavidade oral [+ant, +lat] e [-ant, -lat] das líquidas ainda não está estabilizada.


Palavras-chave


Aquisição; Líquidas; Segmentos; Sílabas; Português Europeu

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Referências


(BISOL e SCHUWINDT 2010, p. 237-238)

o fato é que modelos representacionais como a Geometria de Traços, Teoria da Sílaba e Fonologia Métrica, fundamentam seus princípios em fenômenos que ocorrem nas línguas do mundo e na gramática do adulto. Apesar de utilizados para análises formais dos dados de aquisição, tiveram sua arquitetura e princípios pensados de forma totalmente independente do processo de aquisição da linguagem. Adaptações aos modelos tornaram-se frequentes, como a segregação planar (LLeo, 1997) para explicar processos de assimilação não permitidos pela Geometria de Clements e Hume (1995), devido ao Princípio do Não-cruzamento de Linhas- e o Modelo Implicacional de Complexidade de Traços (Mota, 1996); Rangel (1998, para explicar a construção gradual dos segmentos com base em Clements e Hume 1995) e Calabrase (1995). Segundo os autores, tais adaptações, nem sempre foram bem-vindas, pois criaram uma ruptura entre teoria linguística aplicada à análise dos dados do adulto e teoria linguística aplicada aos dados da aquisição. Bisol e Schuwindt (2010, p. 237-238).

“Os traços distintivos, definidos em termos de propriedades específicas de caráter acústico e articulatório, são unidades mínimas não segmentáveis, que se combinam de diferentes maneiras para formar os sons das línguas humanas”, Bisol (2001, p. 43).

Rose (2014, p. 47), num estudo sobre aquisição de líquidas em duas crianças, uma de francês como língua materna a outra do português europeu, observou que “existe uma relação entre o surgimento de um segmento e a categoria ou estatuto silábico do mesmo segmento dentro da palavra”.

(GONÇALVES e FREITAS 2016, p. 552) chamam atenção para que “em contextos clínicos as taxas de sucesso não sejam calculadas de forma global, deve-se tomar em conta a performance dada pela criança sobre o segmento alvo dentro de uma posição específica na sílaba”.

(MEZZOMO e RIBAS, 2004) in Lamprecht (2004, p. 95 -108), " líquidas é uma classe de sons que é marcada por (i) ser de domínio tardio, (ii) uso diversificado de processos fonológicos durante o desenvolvimento e (iii) por ser bastante complexo tanto do ponto de vista articulatório quanto do fonológico"


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Créditos da capa: Leila França Rocha (vencedora de concurso realizado no ILUFBA em 2002).