INDETERMINAÇÃO OU APAGAMENTO DO SUJEITO? DA PERSPECTIVA TRADICIONAL AO FUNCIONALISMO

Herbertt Neves, Laura Dourado Loula Régis

Resumo


A que(m) interessa indeterminar o sujeito de uma oração? A indeterminação do sujeito não seria mais uma produtiva estratégia de apagamento em vez de mero indício de desconhecimento do sujeito realizador da ação? Para tentar responder a essas questões, este trabalho tem como objetivo geral revisitar propostas de descrição do fenômeno da indeterminação do sujeito, da perspectiva tradicional ao funcionalismo. Para tanto, empreendemos uma revisão teórica do fenômeno da indeterminação do sujeito a partir de autores de compêndios gramaticais tradicionais (KURY, 1999; ROCHA LIMA, 2012; LUFT, 2002), da Filologia (ALI, 2006), das gramáticas brasileiras contemporâneas mais voltadas para uma visão funcionalista da linguagem (NEVES, 2011; CASTILHO, 2010; PERINI, 2010; AZEREDO, 2008; BAGNO, 2011), de alguns princípios de análise específicos da Gramática Discursivo-Funcional (GDF), proposta por Hengeveld e Mackenzie (2010), e das contribuições de Thompson (1995). Os resultados apontam para a insuficiência das formas de indeterminação do sujeito registradas pela Gramática Tradicional e as lacunas geradas pela desconsideração, por essa vertente, do contexto de uso da língua e das relações entre o sujeito indeterminado e as motivações pragmático-discursivas na interação verbal. A partir das contribuições da vertente funcionalista, percebemos o papel decisivo do gênero textual nesse processo de indeterminação.

Palavras-chave


Indeterminação do sujeito; Gramática Tradicional; Funcionalismo Linguístico

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Créditos da capa: Leila França Rocha (vencedora de concurso realizado no ILUFBA em 2002).