A NARRATIVA DO PROGRESSO E SEUS ANTAGONISTAS: COMO A IMPRENSA TRADICIONAL BUSCA DESLEGITIMAR O MOVIMENTO #OCUPEESTELITA

Laura Jorge Nogueira Cavalcanti

Resumo


Propomos, com este trabalho, uma análise crítica sociocognitiva do discurso da imprensa tradicional local em torno do destino a ser dado à área do cais José Estelita na cidade do Recife (PE). Partimos da compreensão de que o discurso não é mero elemento expressivo ou comunicativo, mas constitutivo das práticas e configurações sociais (FAIRCLOUGH, 2001), que, por sua vez, constituem os discursos. A operacionalização dessa relação é dada através do aspecto sociocognitivo, uma ponte necessária entre discurso e sociedade (VAN DIJK, 2000, 2010, 2012) para explicar como os discursos trabalham na (re)estruturação social. De forma geral, buscamos compreender como se dá a construção de saberes sobre o Movimento #Ocupe Estelita e o Projeto Novo Recife (principais grupos sociais envolvidos na questão). Partimos da hipótese de que os jornais reproduzem o discurso hegemônico, construindo uma narrativa que associa o Projeto Novo Recife ao progresso (econômico) e posiciona o #OcupeEstelita como antagonista nesse processo.

Palavras-chave


Discurso jornalístico; Sociocognição; Narrativas.

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Créditos da capa: Leila França Rocha (vencedora de concurso realizado no ILUFBA em 2002).