01. B-A, BA... QUEM ENSINA SEM SEPARAR, QUEM APRENDE SEM COMBINAR?

Claudia Martins Moreira

Resumo


Com base nos resultados obtidos em pesquisa de campo com crianças e adultos - acompanhados ao longo do ano letivo de 2006, na cidade de Salvador, Bahia - pretendo, com este trabalho, investigar o papel da sílaba no processo de aprendizagem da habilidade de leitura. Interessa-me observar em que medida a estrutura silábica interfere no processo inicial de leitura e de que maneira a escola brasileira tem feito uso desse elemento durante a sistematização da escrita nas classes de alfabetização. Para tanto, tomarei como referência a teoria biológica evolucionista de Mc Neilage e Davis (1990, 1993), denominada “Frames then Contents”, que evidencia a anterioridade da aquisição do molde silábico, seguida do conteúdo, na aquisição da linguagem. Tal concepção tem sido atestada por estudos em aquisição da língua portuguesa no Brasil (TEIXEIRA, 2000, 2003; SILVEIRA, 2006); entretanto, ainda não se havia investigado a repercussão desse aspecto da oralidade sobre a aquisição da lectoescritura, tarefa que pretendo desenvolver neste artigo. Procuro ainda compreender como as informações fornecidas pelas pesquisas linguísticas, as quais têm reafirmado continuamente a extrema regularidade silábica do português brasileiro, tem-se refletido sobre a prática de sala de aula do ensino fundamental. Defendo aqui a proposta de que se faça um uso mais incisivo e mais sistemático da sílaba nas fases iniciais de alfabetização. 


Palavras-chave


Alfabetização; Leitura; Estrutura silábica.

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Referências


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