LITERATURA EM REDE: ARQUIVO, LINEARIDADE E TEMPO

Marina Burdman da Fontoura

Resumo


Este artigo pretende discutir rumos possíveis para as narrativas literárias no ambiente digital, levando em conta algumas das principais particularidades do meio, como hashtags e páginas em redes sociais. Para isso, alude-se à noção de arquivo, que, nesse âmbito, assume também outras características e passa a ser utilizado como fonte para a produção artística. Ao observar a relação entre os produtos veiculados nesse grande arquivo digital, nota-se inclusive o estabelecimento de outras concepções de tempo e espaço que não funcionam apenas com base na linearidade e nos fazem repensar a produção literária nesses outros dispositivos. Assim, hashtags e páginas em redes sociais, entre outros elementos, passam a ser utilizados também como ferramentas de criação artística e mostram outros caminhos para a literatura produzida e consumida em rede. Para investigar uma possível estética característica dessa produção, serão discutidos os e-books e a página do Facebook da série Delegado Tobias, de Ricardo Lísias, que se utiliza de comentários e intervenções de leitores para construir a narrativa e evidencia como as redes sociais podem não só interagir com livros impressos e digitais, mas serem elas mesmas parte do processo de construção do texto; e o projeto Vida de escritor (#vidadeescritor), da Editora Rocco, que, a partir de hashtags, forma discursos sobre os autores do catálogo da editora.

Palavras-chave


Arquivo; redes sociais; blogs; literatura

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Referências


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Créditos da capa: Leila França Rocha (vencedora de concurso realizado no ILUFBA em 2002).