A REVISITAÇÃO DE MINAS GERAIS EM MINHA VIDA DE MENINA

Bárbara del Rio Araújo

Resumo


Minha Vida de Menina (1942) é o título do diário de Alice Dayrell Caldeira Brant, conhecida pelo pseudônimo de Helena Morley. Nele, são representados fatos vivenciados pela menina entre os 13 aos 15 anos e, mais que isso, o cotidiano de Diamantina no período de 1893 a 1895, quando os resquícios da escravidão ainda vigoravam e a mineração se encontrava em decadência. O que se percebe é que ao lado do desenvolvimento formativo do indivíduo, representa-se também a construção social, tudo isso articulado em um trabalho narrativo de recomposição do espaço mineiro por meio da imaginação. Este trabalho tem a pretensão de analisar a obra a fim de perceber como ocorre a inscrição do espaço social no espaço intimista, demonstrando uma narrativa que não se limita ao seu caráter privado e se amplia na reflexão sobre a existência histórica. Nesse aspecto, procura-se aproximar esse diário de uma narrativa de formação, subgênero muito próximo do Bildungsroman, evidenciando que a intensificação da experiência subjetiva de Helena permite a revisitação de Minas Gerais e do Brasil durante a passagem do século XIX para o século XX. 


Palavras-chave


Sociedade; Literatura; Bildungsroman; Minha Vida de Menina.

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Referências


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