DA PALAVRA AO MUNDO: RETORNOS À FILOLOGIA

Lucas de Jesus Santos

Resumo


Neste trabalho, pretendo delinear a proposta de retorno da filologia aos estudos literários e culturais. Para tanto, percorro alguns textos importantes que tematizam tal movimento de retorno, tentando marcar seus contornos gerais e suas implicações político- teóricas para o estudo da literatura e da cultura. São abordados os textos "Antifoundational Philology" de Jonathan Culler, "Erich Auerbach’s Earthly (Counter-)Philology" de James I. Porter e ‚Post-Philology‛ de Michelle Warren. Argumento que, ao alinhavar as interpretações dos autores, pode-se inferir que a filologia passa de um saber centrado na forma da palavra e dos textos, com vistas à reconstrução de seu sentido original, para uma filologia do mundo, aberta às especificidades culturais e políticas de um tempo histórico marcado pela diáspora dos povos africanos, pela problemática política e cultural das comunidades nacionais pós-coloniais, pelas democracias recentemente nascidas em países que viveram ditaduras. A direção geral dos textos é a de questionar a posição atribuída à Filologia de saber hierarquicamente superior, basilar, de estabelecimento da verdade textual e de interpretação, realizando uma reconfiguração do papel da filologia frente às questões político-culturais contemporâneas. Nota- se, então, um regresso crítico à filologia por parte de alguns teóricos da literatura e da cultura, que, longe de reivindicar instrumentos determinantes de análise, prezam pela extensão das possibilidades de leitura e tratamento dos textos, afirmando a democratização dos saberes e a produção de espaços e condições de coexistência cultural. 

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Créditos da capa: Leila França Rocha (vencedora de concurso realizado no ILUFBA em 2002).