Ópera e febre amarela no Rio de Janeiro Imperial

Marcos Virmond, Lenita Waldige Mendes Nogueira

Resumo


A música, particularmente a ópera, foi atividade importante no Rio de Janeiro do século XIX e na política de aproximação da ex-colônia à Europa. A falta de forças locais suficientes, entretanto, fazia a Itália, principalmente, o local de busca por companhias líricas que viessem suprir essa demanda. Nesse contexto, este estudo pretende discutir as relações da vida operística da capital do império, notadamente as companhias líricas italianas, com a epidemia de febre amarela que assolou o Rio entre 1849 e 1853 e suas repercussões na Europa. Mesmo com a morte de muitos integrantes das companhias, os músicos continuavam a participar das temporadas líricas no Rio. Ida Edelvira, Angelo Brunacci, Giuseppina Zecchini e Rosilde Stoltz são alguns dos importantes nomes da lírica italiana que continuaram a frequentar a cena local, mesmo com a vigência da epidemia amarílica. Descreve-se os detalhes desses agenciamentos, o repertório empreendido no Rio, sua repercussão local, o acometimento progressivo de vários membros das companhias pela doença, muitos deles com êxito letal e a percepção da imprensa italiana especializada em teatro sobre esta situação. Conclui-se que o desconsolo com a situação política e social da Itália naquele momento, os ganhos monetários substanciais e a possibilidade de extensas viagens para outros centros da América do Sul prevaleciam sobre o receio da febre amarela.


Palavras-chave


Ópera. Rio de Janeiro. Império. Companhias liricas. Febre amarela.

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