A formação do cidadão, um processo sociohistórico de mutação da universidade à escola básica

Yves Lenoir

Resumo


Este artigo analisa o processo socio-histórico de passagem da educação para a cidadania da universidade para a escola básica, centrando-se no contexto norte-american e apoiando-se em exemplos do sistema educacional quebequense. Ele trata da mutação que se produziu sob o efeito conjugado da fragilização dos Estados-nações e do processo de globalização que se impõe às nossas sociedades atuais. Enquanto que a função universitária, no momento da recriação da instituição universitária moderna no século XVIII, estava centrada no desenvolvimento da cultura e da cidadania num quadro nacional, sua reorientação em profundidade no final do século XIX nos Estados Unidos da América fez dela uma universidade pragmática, no seio da qual as orientações instrumentais e econômicas ocuparam um lugar privilegiado. Enfim, ao longo do século XX, sob pressão do discurso ideológico neoliberal e numa perspectiva de globalização visando a mercantilização do saber e a adaptação do sistema de formação às exigências da economia de mercado, a universidade e o conjunto do sistema escolar viram-se progressivamente forçados a adotar uma perspectiva empresarial, como indústria de serviço. Assim, as finalidades de formação cultural e cidadã, que lhes eram próprias na origem, foram reenviadas à escola básica, mas esvaziando a educação para a cidadania de suas dimensões jurídicas e políticas que são seus elementos constitutivos fundamentais.

Palavras-chave


Perspectiva sócio-histórica, Sistema escolar quebequense, Reformas dos sistemas escolares, Globalização

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/2317-1219rf.v12i11.2949

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