São assim os baianos: entre afinidades eletivas e regionais a presença de Anísio Teixeira e dos intelectuais baianos no Ministério da Educação nos anos 1950 e 1960

Fernando César Ferreira Gouvêa

Resumo


O presente trabalho busca compreender a trajetória e a permanência dos intelectuais baianos Anísio Teixeira, Jayme Abreu, Almir de Castro e Péricles Madureira de Pinho à frente dos principais setores pedagógicos do Ministério da Educação no período de 1951 a 1964. A metodologia terá como esteio a confrontação entre memórias, entrevistas, acervos, correspondências, relatórios institucionais e impressos pedagógicos na perspectiva de apreender a rede que deu a sustentação para a permanência dos referidos atores no âmbito da burocracia estatal, mais especificamente na pasta atinente à educação que assistiu à passagem de treze ministros titulares no período em tela. Trata-se de uma pesquisa que tem a intenção de pensar a construção de uma forma de politização do pensamento e ação educacional de atores no seio de uma rede de tramas político-partidárias complexas num modelo de Estado de orientação nacional-desenvolvimentista.

Palavras-chave


Trajetória de Intelectuais, Intelectuais baianos. Ministério da Educação. Brasil, 1950-1960.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/re.v7i2.23521

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