PERSUASÃO: o componente pragmático da argumentação

Eduardo Chagas Oliveira

Resumo


Spe2 E OliveiraA publicação do Tratado da Argumentação: a nova retórica, em 1958, costuma suscitar, entre os adeptos dos estudos em argumentação, uma aproximação com a retórica de pensadores que vão de Corax e Tisias a Aristóteles e Quintiliano. Esse tipo de associação revela a temerária tendência para o entendimento de que a teoria erigida por Perelman constitui uma reconstrução da retórica aristotélica. Inicialmente, cumpre destacar que os campos de aplicação são efetivamente distintos. Ante ao estreito vínculo entre a retórica e a eloquência, que demarca os caracteres próprios da retórica na antiguidade, precisamos verificar que a nova retórica incorpora elementos da elaboração argumentativa – e, por conseguinte, do produto textual – que outrora não eram contemplados pelo campo retórico. Mesmo a Nova Retórica, jovem senhora sexagenária, não mais constitui um referencial para aquele que pretende irromper na árdua tarefa de analisar peças argumentativas. Tampouco a Novíssima Retórica, insculpida nas teorias sociojurídicas de Boaventura Sousa Santos, contempla os ambientes e modelos cognitivos próprios do atual contexto. As estratégias de persuasão, no mundo contemporâneo, ganharam contornos tão diferenciados, que pouco se parecem com aquelas indicadas em clássicos que se detiveram na tarefa de descrevê-las, como Aristóteles e Schopenhauer, por exemplo. Nossa abordagem, neste pequeno trabalho, restringe-se a contemplar o componente pragmático da argumentação – a persuasão – para configurar a existência de uma Nuper-retórica, capaz de contemplar o(s) ambiente(s) (preponderantemente) persuasivo(s) e a elaboração das peças argumentativas.

PALAVRAS-CHAVE: Retórica. Persuasão. Argumentação. Nuper-retórica.


PERSUASION: the pragmatic component of argumentation
Eduardo Chagas Oliveira

The New Rhetoric: A Treatise on Argumentation, published in 1958, is usually associated by argumentation scholars with the rhetoric of thinkers ranging from Corax and Thysias to Aristotle and Quintilian. This type of association reveals the doubtful tendency to take Perelmann’s theory as a reconstruction of Aristotelian rhetoric. It is worth noticing that these have actually distinct fields of application. In face of the narrow bound between rhetoric an eloquence, which draws the characteristic features of ancient rhetoric, one must reckon that the new rhetoric incorporates elements of argumentative elaboration – and thus of the textual product – which were not then contemplated in the rhetorical field. Even the New Rhetoric no longer stands as reference to those wishing to be initiated in the hard task of analyzing argumentative pieces. Also the New Rhetoric, engraved in socio-juridical theories of Boaventura Sousa Santos, does not contemplate the present time cognitive environment and models. Today, persuasion strategies have assumed features which are so differentiated that they hardly resemble those pointed out in classics dedicated to describe them, such as Aristotle and Schopenhauer. Our approach consists in contemplating the pragmatic component of argumentation – persuasion – so as to configure the existence of a Nuper-rhetoric capable of contemplating the (mainly) persuasive environment(s) and the elaboration of argumentative pieces.

KEY-WORDS: Rhetoric. Persuasion. Argumentation. Nuper-rhetoric.


PERSUASION: La composante pragmatique de l’argumentation
Eduardo Chagas Oliveira

La publication, en 1958, du Traité de l’Argumentation: une nouvelle rhétorique, suscite en général parmi les adeptes de l’étude de l’argumentation un rapprochement avec la rhétorique de penseurs allant de Corax et Tisias à Aristote et Quintilien. Ce type d’association révèle une tendance téméraire de considérer la théorie érigée par Perelman comme une reconstruction de la théorie aristotélicienne. Au départ, il convient de noter que les champs d’application sont effectivement distincts. Face au lien étroit qui existe entre la rhétorique et l’éloquence qui démarque les caractères propres de la rhétorique dans l’antiquité, il faut vérifier si la nouvelle rhétorique intègre les éléments de l’élaboration argumentative – et par conséquent du produit textuel – qui autrefois ne faisaient pas partie du champ rhétorique. Même la Nouvelle Rhétorique, jeune dame de soixante ans, n’est plus une référence pour celui qui veut se lancer dans la dure tâche d’analyse des pièces d’argumentation. Ni même la Très Nouvelle Rhétorique, contenue dans les théories socio-juridiques de Boaventura Sousa Santos, prend en considération les milieux et les modèles cognitifs du contexte actuel. Les stratégies de persuasion du monde contemporain ont acquis des formes tellement différenciées qu’elles ressemblent peu à celles citées dans les classiques qui se sont contentés de les décrire, comme Aristote et Schopenhauer par exemple. Notre approche, dans cette étude, se limite à prendre en considération la composante pragmatique de l’argumentation – la persuasion - pour définir l’existence d’une Nuperrhétorique capable de contempler le(s) milieu(x) (surtout) persuasif(s) et l’élaboration de pièces argumentatives.

MOTS-CLÉS: Rhétorique. Persuasion. Argumentation. Nuper-rhétorique.

Publicação Online do Caderno CRH no Scielo: http://www.scielo.br/ccrh 

Publicação Online do Caderno CRH: http://www.cadernocrh.ufba.br


Palavras-chave


Retórica. Persuasão. Argumentação. Nuper-retórica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/ccrh.v25i2.19444

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