TRÊS ETAPAS PARA UMA ANTROPOLOGIA HISTÓRICA DO NEOLIBERALISMO REALMENTE EXISTENTE

Loïc Wacquant

Resumo


A antropologia do neoliberalismo se polarizou entre um modelo econômico hegemônico, ancorado por variantes do domínio de mercado, e uma abordagem rebelde, alimentada por derivações da noção foucaultiana de governamentalidade. Ambas as noções dissimulam o que é “neo” no neoliberalismo: a reengenharia e a reestruturação do Estado como a agência principal que estabelece regras e conforma as subjetividades, relações sociais e representações coletivas apropriadas à produção de mercados. Eu desenvolvo o conceito de Bourdieu de “campo burocrático”, para propor uma via media entre essas duas abordagens, que concebe o neoliberalismo como uma articulação entre Estado, mercado e cidadania, aparelhando o primeiro para impor a marca do segundo à terceira. Essa concepção repatria a penalidade para o centro da produção de um Estado-centauro, que pratica o laissez-faire no topo da estrutura de classes e o paternalismo punitivo na base. 

PALAVRAS-CHAVE: Neoliberalismo. Governamentalidade. Campo burocrático. Estado penal. Política
social. Bourdieu.

THREE STEPS TO A HISTORICAL ANTHROPOLOGY OF ACTUALLY EXISTING NEOLIBERALISM
Loïc Wacquant

The anthropology of neoliberalism has become polarized between a hegemonic economic model anchored by variants of market rule and an insurgent approach fueled by derivations of the Foucaultian notion of governmentality. Both conceptions obscure what is “neo” about neoliberalism: the reengineering and redeployment of the state as the agency that sets the rules and fabricates the subjectivities, social relations, and collective representations suited to realizing markets. I develop Bourdieu’s concept of “bureaucratic field” to propose a via media between these two approaches that construes neoliberalism as an articulation of state, market, and citizenship that harnesses the first to impose the stamp of the second onto the third. This conception repatriates penality at the core of the production of a Centaurstate that practices laissez-faire at the top of the class structure and punitive paternalism at the bottom.

KEYWORDS: Neoliberalism. Governmentality. Bureaucratic field. Penal state. Workfare. Bourdieu

TROIS PROPOSITIONS POUR UNE ANTHROPOLOGIE HISTORIQUE DU NÉOLIBÉRALISME RÉEL
Loïc Wacquant

L´anthropologie du néolibéralisme est polarisée entre un modèle économique hégémonique, ancré par la notion d’empire du marché, et une approche rebelle, nourrie par des dérivations de la notion foucaultienne de gouvernementalité. Ces deux conceptions antagonistes convergent en ceci qu’elles dissimulent ce qui est “néo” dans le néolibéralisme: le recalibrage et le redéploiement de l’État comme instance qui fixe des règles et fabrique les subjectivités, les rapports sociaux et les représentations collectives propices à la réalisation des marchés. Je développe le concept de “champ bureaucratique” chez Bourdieu pour frayer une voie moyenne entre ces deux approches qui conçoit le néolibéralisme comme une articulation entre État, marché et citoyenneté qui mobilise le premier terme pour imprimer le second sur le troisième. Cette conception rapatrie la pénalité au coeur de la production d’un État-centaure qui pratique le laissez-faire en haut de la structure de classe et le paternalisme punitif en bas.

MOTS-CLEFS: Néoliberalisme. Gouvernementalité. Champ bureaucratique. État pénal. Politique sociale disciplinaire. Bourdieu.

Publicação Online do Caderno CRH no Scielo: http://www.scielo.br/ccrh 

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Palavras-chave


Neoliberalismo. Governamentalidade. Campo burocrático. Estado penal. Política social. Bourdieu.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/ccrh.v25i66.19427

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