VIOLÊNCIA URBANA E PRIVATIZAÇÃO DO POLICIAMENTO NO BRASIL: uma mistura invisível

Martha Knisely Huggins

Resumo


Este artigo argumenta que grande parte da violência policial no mundo, em especial no Brasil, tem se tornado invisível, a despeito do caráter público dos homicídios policiais. As ideologias sobre raça e criminalidade ocultam mortes de pobres e negros sob a justificativa de que elas são uma resposta ao aumento do crime entre certos grupos da população. As organizações policiais, mediante operações militares nas favelas, caracterizam essa violência como uma “guerra contra o crime”, em que os delinquentes são mais numerosos e armados que os “bons” policiais e cidadãos. A mistura entre policiamento público e privado torna difícil determinar qual das entidades de controle social provocou essas mortes, particularmente por conta da participação de policiais em serviço e fora de serviço nas empresas de segurança privada. Nesse processo, a segurança tem se convertido em uma mercadoria que separa os pobres dos ricos e os criminosos dos não-criminosos. Apesar de os pobres precisarem mais dos serviços da polícia do que os ricos, eles são percebidos como classes perigosas a serem controladas. Por sua vez, os ricos que podem comprar segurança privada utilizam-na para se proteger daqueles que são vitimizados pela segurança pública.

PALAVRAS-CHAVE: violência policial, tendências do policiamento, centralização, privatização, crise do controle estatal.

URBAN VIOLENCE AND POLICE PRIVATIZATION IN BRAZIL: blended invisibility
Martha K. Huggins

This article argues that much police violence the world over, focusing specifically on Brazil, is becoming increasingly invisible in spite of the very public nature of police homicides. Ideologies about race and criminality hide killings of Blacks under the belief that these murders are in response to some groups ’greater criminality’. Police organization—particularly militarized assaults on favelas—frame such violence as a ‘war against crime’ where criminals out number ‘good’ police and citizens. The continuing blending of ‘formal’ and ‘private’ policing makes it difficult to determine which social control entity carried out a citizen murder, especially given the participation of on- and off-duty police in ‘private’ police duty. In the process, “security” has developed as a commodity that distinguishes the poor from the rich and separates criminals from non-criminals—those who must rely on formal police for ‘security’, the poor, are perceived as criminals to be controlled; those who can purchase private security, the wealthier, use private police to protect them against those victimized by public security.

KEY WORDS: police violence, police trends, militarization, privatization, state control crisis.

VIOLENCE URBAINE ET PRIVATISATION DES SERVICES DE POLICE AU BRÉSIL: un mélange invisible
Martha K. Huggins

Cet article affirme qu’une grande partie de la violence policière dans le monde, en particulier au Brésil, est devenue invisible malgré le caractère public des meurtres policiers. Les idéologies concernant la race et la criminalité cachent l’assassinat de pauvres et de Noirs, justifié en disant qu’il s’agit d’une réponse à la criminalité qui a augmenté au sein de certains groupes de population. Les services de police, au cours d’opérations militaires dans les favelas, caractérisent cette violence comme une “guerre contre le crime” dans laquelle les délinquants sont plus nombreux et armés que les “bons” policiers et les citoyens. Le mélange entre police publique et police privée ne permet pas de déterminer laquelle de ces entités de contrôle social entraine tous ces assassinats, notamment en raison de la participation de policiers en service et en dehors de leurs heures de service dans des sociétés privées de sécurité. Vu ce processus, la sécurité est devenue une marchandise qui sépare les pauvres des riches et les criminels des non-criminels. Bien que les pauvres aient besoin des services de police plus que les riches, ils sont perçus comme faisant partie des classes sociales dangereuses et qu’il faut contrôler. À leur tour, les riches qui peuvent payer une sécurité privée, s’en servent pour se protéger de ceux qui sont victimes de la sécurité publique.

MOTS-CLÉS: violence policière, tendances des services de police, centralisation, privatisation, crise du contrôle de l’état.

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Publicação Online do Caderno CRH no Scielo: http://www.scielo.br/ccrh


Palavras-chave


violência policial, tendências do policiamento, centralização, privatização, crise

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/ccrh.v23i60.19146

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