VÍTIMAS À DERIVA: processos sociais de vitimização de bancários por assaltos e seqüestros

Eduardo Paes Machado, Ana Márcia Duarte Nascimento

Resumo


Este artigo discute os processos sociais de vitimização de bancários por assaltos e seqüestros. O artigo está fundado em dados qualitativos provenientes de 42 entrevistas com diferentes agentes (funcionários, cônjuges, vigilantes, representantes sindicais, patronais e policiais), 30 relatórios médicos sobre empregados vitimizados, 236 matérias jornalísticas, e estatísticas policiais. Nós mostramos como a precariedade da segurança pública, a ação de grupos criminosos, as interações perigosas e as práticas organizacionais e sociais de responsabilização estruturam e tornam rotineira a vitimização de bancários. Nós demonstramos que a experiência de ser roubado e tomado refém aumenta o medo entre os empregados, comprometendo a sua relação com o trabalho, rompendo laços familiares e afetando negativamente a sua identidade social. Dado que os seqüestros para extorsão acontecem fora do local de trabalho, mas visam os recursos nele transacionados, eles questionam a noção de violência no trabalho como uma experiência restrita ao ambiente de trabalho. Nós defendemos o fortalecimento do sistema de justiça criminal, a redução do volume de dinheiro nas agências bancárias, investimento em novos dispositivos de segurança e revisão da atual política de responsabilização dos trabalhadores vítimas destes crimes violentos.

PALAVRAS CHAVE: sociologia do crime, roubos a banco, vitimização de bancários.


DRIFTING VICTIMS: social victimization processes of bankers through kidnappings and robberies
Eduardo Paes-Machado,
Ana Márcia Duarte Nascimento

This paper discusses the social processes of victimization of Brazilian bank employees by armed robberies and kidnappings. The research is based qualitative data from 42 interviews with different agents (employees, spouses, security officers, health officers, employee union representatives, bank representatives, police officers), 30 medical reports, 236 newspaper articles, and police statistics. We demonstrate how the precariousness of public and bank security, the action of criminal groups, dangerous interactions and the social and organizational policies of shifting responsibility to employees give structure and make common victimisation of bank employees. We show that the experience of being robbed and made a hostage increase the fear of crime among employees, undermining their ability to participate in the workforce, disrupting family lives, and negatively affecting their social identity. Given that employee kidnappings for extortion happen outside the workplace but aim to get at resources kept inside, they challenge preexisting notions of workplace violence as an experience restricted to the work environment. We advocate that the criminal justice system should be improved and that bank branches should reduce the amount of money they use to work, investments in new security devices and revision of the current policy of making the workforce responsible for work-related crimes comitted outside the work environment.

KEYWORDS: sociology of crime, bank robberies, employee victimisation.


VICTIMES À LA DÉRIVE: les processus sociaux qui font que les employés de banque sont victimes d’assauts et d’enlèvements
Eduardo Paes-Machado
Ana Márcia Duarte Nascimento

Cet article traite des processus sociaux qui font que les employés de banque sont victimes d’assauts et d’enlèvements. Il se base sur des données qualitatives obtenues à partir de 42 interviews réalisées auprès de différents agents (des fonctionnaires, des conjoints, des agents de sécurité, des représentants syndicaux, des représentants des patrons et des policiers), 30 rapports médicaux concernant des employés victimes d’agressions, 236 articles de journaux ainsi que des statistiques de police. Nous montrons en quoi la précarité de la sécurité publique, l’action des groupes criminels, les interactions dangereuses et la pratique de la société et des entreprises face à la distribution des responsabilités, font que l’agression envers les employés de banque soit structurée et devienne routinière. Nous démontrons que le fait d’avoir été victime de vol ou d’avoir été pris en otage augmente la peur entre les fonctionnaires en compromettant leur rapport au travail, en provoquant des ruptures de liens familiaux et en ayant une influence négative sur leur identité sociale. Etant donné que les enlèvements réalisés pour extorquer de l’argent se passent, en général, en dehors de leur lieu de travail mais visent les ressources qui y sont manipulées, les employés de banque remettent en question la notion de violence au travail considérée comme une expérience qui se limite à leur lieu de travail. Nous estimons donc qu’il faut fortifier le système de la justice criminelle, réduire la quantité d’argent dans les agences bancaires, investir dans de nouveaux dispositifs de sécurité et revoir la politique actuelle de responsabilisation des employés victimes de ce genre de crimes violents.

MOTS-CLÉS: sociologie du crime, vols de banques, employés de banque victimes d’assauts.


Publicação Online do Caderno CRH: http://www.cadernocrh.ufba.br


Palavras-chave


sociologia do crime, roubos a banco, vitimização de bancários.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/ccrh.v19i47.18754

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