ADMINISTRANDO PARQUES INDUSTRIAIS DE AUTOPEÇAS NO BRASIL: uma comparação entre Resende, Gravataí e Camaçari

Mari Sako

Resumo


O artigo compara três parques industriais de fornecedores de autopeças no Brasil – na Volkswagen de Resende (RJ), na General Motors de Gravataí (RS) e na Ford de Camaçari (BA). A partir de visitas e entrevistas realizadas nas três localidades, no final de 2004, o estudo revela a diversidade de arranjos locais no que diz respeito a três dimensões: o padrão de propriedade de ativos, o grau de terceirização de tarefas e a natureza da relação com os trabalhadores. E revela, em particular, que a terceirização das tarefas produtivas não está necessariamente associada à desintegração da propriedade dos ativos. Na verdade, a terceirização das tarefas aparece relacionada com uma propriedade integrada de ativos em consórcio modular, como no caso de Resende. E mais: as relações sociais entre empresas fornecedoras e seus trabalhadores, nesses locais, parecem poder coexistir tanto com padrões integrados como não integrados de propriedade de ativos. Percebe-se, portanto, que não há um único “modelo brasileiro” e que as práticas variam juntamente com as dimensões da evolução local das normas sociais e das políticas de gestão.

Palavras-Chave: terceirização, indústria automobilística, autopeças, produção enxuta, novos territórios industriais.

Administering industrial COMPLEXES Of autoparts in brazil: a comparison between Resende, Gravataí and CamaçariMari Sako

This paper compares three major supplier parks in Brazil, namely Volkswagen Resende, General Motors Gravataí, and Ford Camaçari. On the basis of visits and interviews at the three locations in late 2004, the comparisons reveal a diversity of local arrangements with respect to three dimensions, namely the pattern of asset ownership, the degree of task outsourcing, and the nature of relations with workers. In particular, the outsourcing of production tasks is not necessarily associated with the disintegration of asset ownership. If anything, task outsourcing goes hand-in-hand with integrated asset ownership in modular consortia, as at Resende. Moreover, social relations among suppliers and workers on site may co-exist with either integrated or non-integrated asset ownership patterns. It is therefore found that there is no single ‘Brazil model’, and that practices vary along the dimensions, according to the local evolution of social norms and management policy.

Key-words: outsourcing, car industry, autoparts, lean production, new industrial territories

L’ADMINISTRATION DES PARCS INDUSTRIELS AUTOMOBILES DE PIECES DETACHEES AU BRESIL: comparaison entre Resende, Gravatai et CamaçariMari Sako

Cet article présente une comparaison faite entre trois parcs industriels de fournisseurs de pièces détachées au Brésil - celui de Volkswagen à Resende (RJ), celui de General Motors à Gravatai (RS) et celui de Ford à Camaçari (BA). Suite à des visites et des interviews réalisées dans ces trois localités, à la fin de l’année 2004, l’étude révèle la diversité des adaptations locales en ce qui concerne trois dimensions: la norme de propriété d’actifs, le degré de sous-traitance des tâches et la nature des rapports avec les travailleurs. Elle démontre tout particulièrement que la sous-traitance des tâches productives n’est pas obligatoirement associée à la désintégration de la propriété des actifs. En réalité, la sous-traitance des tâches semble être liée à une propriété intégrée d’actifs en consortium modulaire, comme dans le cas de Resende. De plus, les relations sociales entre les fournisseurs et leurs travailleurs, dans ces locaux, semblent pouvoir exister autant avec des normes intégrées qu’avec des normes non intégrées de propriété des actifs. On s’aperçoit donc qu’il n’y a pas un seul et unique “modèle brésilien” et que les pratiques varient en fonction des dimensions de l’évolution locale des normes sociales et des politiques de gestion.

Mots-clés: sous-traitance, industrie automobile, pièces détachées, production réduite, nouveaux territoires industriels.


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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/ccrh.v19i46.18546

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