AS POLÍTICAS DE RECURSOS HUMANOS COMO FATORES DE ESTRESSE NO TRABALHO DE ESTAGIÁRIOS E SUPERVISORES DO SETOR DE COBRANÇA DE UM BANCO INTERNACIONAL

Débora Glina, Lys Esther Rocha

Resumo


Este estudo busca compreender quais eram as políticas de recursos humanos para estagiários e supervisores do setor de cobrança de um banco internacional e de que forma estas poderiam funcionar como fatores de estresse no trabalho. Trata-se de um estudo de caso, no qual se realizou a análise ergonômica do trabalho, com entrevistas, questionários, observações e análise documental. O estudo evidencia a presença de diversos fatores de estresse relacionados às políticas de RH para estagiários e supervisores. Há a falta de oportunidade de carreira para a maioria e desconhecimento dos critérios para efetivação, carreira e promoção. A mobilidade horizontal e vertical exige grande adaptação dos estagiários e impede a formação de vínculos, levando à necessidade de treinamentos constantes e suporte do supervisor. São admitidos funcionários jovens, que serão submetidos a uma carga de trabalho intensa. O treinamento é muito denso e teórico. A avaliação de desempenho estressa supervisores e estagiários, devido à sua inadequação quanto à sistemática e à forma. O sistema de premiação leva à busca de auto-superação e à competição pelos prêmios. Concluindo, considera-se que, na formulação das políticas de RH, deveriam ser considerados seus impactos na saúde dos trabalhadores a quem se destinam. Isso exigiria uma mudança de posicionamento da empresa com relação a crenças e valores referentes ao trabalhador, saúde, doença e poder.

Palavras-chave: estresse no trabalho, políticas de recursos humanos, telemarketing, saúde mental, banco.

HUMAN RESOURCES POLICIES AS STREESS FACTORS FOR THE WORK OF INTERNES AND SUPERVISORS IN THE COLLECTION SECTOR OF AN INTERNATIONAL BANK


 This study aims at understanding the human resources policies for interns and supervisors of the collection sector of an international bank and their role as factors of stress at work. This is a case study, where an ergonomic analysis of the work was made, with interviews, surveys, observations and documental analysis. The study shows the presence of given stress factors related to the human resources policies for interns and supervisors.  Most of them experience lack of career opportunity and are not familiar with the criteria for them to become employees, as well as their careers and promotion possibilities. The horizontal and vertical mobility requires a major adaptation from the interns and hinders the formation of ties, giving origin to the need of ongoing training and support from the supervisor. The young employees who are hired will undergo an intense workload. The training is very dense and theoretical. The evaluation of the performance is a stress component for supervisors and interns, owing to their inadequacies as far as systematics and its form are concerned. The prize awarding system leads to the self-superation search and to competition for the prizes. Summing up, in the formulation of HR policies, their impacts on the health of the workers they are driven to should be taken into consideration. This would require a change of the behavior within the company regarding beliefs and values referring to worker, health and power.

Key words: stress at labor, human resources policies, telemarketing, mental health, bank.

LES POLITIQUES DE RESSOURCES HUMAINES COMME FACTEURS DE STRESS DANS LE TRAVAIL DES STAGIAIRES ET DES SUPERVISEURS DU SECTEUR DE RECOUVREMENT D’UNE BANQUE INTERNATIONALE

 
Dans cette étude, on essaie de comprendre quelles sont les politiques de ressources humaines utilisées pour les stagiaires et superviseurs du secteur de recouvrement d’une banque inter-nationale et de quelle manière celles-ci fonctionnent comme facteur de stress dans le travail. Il s’agit d’une étude de cas dans laquelle une analyse ergonomi-que du travail a été effectuée, à partir d’entretiens, de questionnaires, d’observations et d’une analyse de documents.  L’étude met en évidence la présence de divers facteurs de stress liés aux politiques des Ressources Humai-nes pour les stagiaires et les super-viseurs. Pour la plupart d’entre eux, l’opportunité de faire carrière n’existe pas et il y a un manque total de connaissance des critères établis pour intégrer l’effectif, avancer dans la carrière et obtenir une promotion. La mobilité, horizontale et verticale, exige une grande adaptation de la part des stagiaires et empêche que des liens se créent, provoquant ainsi un besoin de forma-tions constantes et de support d’un superviseur. On admet des fon-ctionnaires jeunes qui seront soumis à une charge de travail intense. La formation est très dense et théorique. L’évaluation des résultats stresse les superviseurs et les stagiaires, vu qu’ils sont inadéquats autant dans leur systématisation que dans leur forme. Le système de récompense provoque une recherche d’auto-dépassement et une compétition en vue des récompenses. Pour conclure, on estime que, lors de la formulation des politiques de Res-sources Humaines, leur impact sur la santé des travailleurs concernés devrait être pris en considération. Ceci impli-querait un changement de position de l’entreprise par rapport à ses certitudes et ses valeurs concernant le travailleur, la santé, la maladie et le pouvoir.

Mots-clés: stress au travail, politiques des ressources humaines, telemar-keting, santé mentale, banque.


Publicação Online do Caderno CRH: http://www.cadernocrh.ufba.br

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/ccrh.v18i43.18515

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