Indústria fonográfica e oficinas de sonoridades: a inovação musical como micropolítica da escuta // Music Industry and sounds workshops: musical innovation as micro-politics of listening

Rodrigo Fonseca e Rodrigues

Resumo


O texto rediscute a idéia acerca da inovação na música, partindo de uma problematização do pensamento estético adorniano, tanto em sua fase crítica que, em parceiria com Horkheimer, cunhou o conceito de indústria cultural, quanto em seus escritos específicos sobre estética musical. Para o autor, as premissas da criação musical na modernidade se bifurcam em: erudita (séria) e popular (ligeira). A primeira como um desafio intelectualmente comprometido, a segunda, por seu turno, produzida sob a rubrica da indústria fonográfica, expressão do rebaixamento experiência estética e atrofia do exercício da subjetividade pensante ou, no limite, como exemplar da barbárie estilística. Tenta-se apontar as pertinências e os equívocos da filosofia musical de Adorno, ao demonstrar que os pressupostos de inovação que o autor propõe ora predeterminam a criação, ora desprezam aspectos artísticos inapreensíveis pelo alcance de seu escopo conceitual. A insuficiência da musicologia denuncia-se tanto no que diz respeito à priorização do material sonoro como definidor de valor estético quanto à inobservância às conseqüências imprevisíveis advindas da experiência da escuta permeada pelo sistema midiático. Interpelamos se não seria possível pensar a inovação musical como um investimento de experimentação em cujo processo está implícita uma postura política de resistência aos axiomas estabilizados pelos hábitos dominantes de escuta, atestado no paradigma do grupo Oficina de Música Viva.

Palavras-chave


indústria cultural; música; escuta; inovação; micropolítica.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/1809-9386contemporanea.v10i1.5665