ARCO-ÍRIS NO CAMPO: ETNOGRAFIA DA “HOMOSSEXUALIDADE” MASCULINA NO AMBIENTE RURAL

Pedro Henrique Azevedo

Resumo


O ambiente rural caracteriza-se por uma região não urbanizada. É o campo em contraponto com a cidade. A zona rural sempre foi classificada como um ambiente repressor e conservador, já a cidade tem como características o anonimato e a liberdade. Na lógica que a heterossexualidade é normatizada em todos os ambientes, uma comunidade campal tem enraizada questões como o machismo e a heteronormatividade de forma mais intensa que o ambiente urbano, por conta de questões geográficas e de valores socioculturais. Contudo, existe uma alegação que em comunidades rurais há uma consumação de práticas sexuais entre adolescentes homens, ou seja, uma prática sexual gay durante a puberdade masculina. A pesquisa em tela busca comprovar a existência destas práticas “homossexuais”, bem como interpretar a dinâmica que as envolvem a fim de compreender como se performatiza a identidade social destes moços. Tendo por base a etnografia, foi realizada uma pesquisa de campo, nos moldes tradicionais da observação participante de cunho antropológico, durante três meses de intenso convívio social na comunidade camponesa Olhos Cristais (nome fictício) do município de Baraúna/RN, em que se observou toda a conjuntura expressa através do cotidiano por diversos momentos e espaços de sociabilidade. Também foram realizadas conversas individuais com quatro rapazes. Os rapazes tinham de 19 a 23 anos de idade, e através da história oral fizeram todo um resgate do aspecto estudado, no que diz respeito à vivencia particular de cada um. De fato, as práticas sexuais e afetivas entre rapazes da zona rural existem e não estão concentradas apenas na adolescência, pois se expressam também até a fase adulta da vida, como foi perceptível. Pensar estas práticas é compreender um mundo de dupla face, onde o âmbito particular e o público assumem formas muitas vezes contrastantes, demonstrando um poder influente e coercitivo da sociedade no processo de construção performativa da identidade deles, em que os rapazes se moldam aos valores e costumes nativos a fim de obter uma convivência pacífica e longe de preconceitos, assumindo uma identidade às vezes contraditória, mas nunca deixando de usufruir dos variados prazeres da vida.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/cgd.v1i1.13629



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