Chamada para Dossiê - Reprodução, Partos, Maternidades e Paternidades [PRAZO PRORROGADO]

A maternidade compulsória e a naturalização do amor materno enquanto instinto são alguns dos papéis atribuídos às mulheres a partir da modernidade. No mesmo sentido, passaram a emergir uma série de normas, condutas e imposições sobre o corpo da mulher, que encontraram no campo científico seu instrumento legitimador, sendo a dinâmica dos sistemas de saúde construídas segundo a dinâmica das relações de gênero impostas na sociedade. Portanto, além das mulheres serem compelidas a conduzirem suas vidas em conformidade com a ordem namorar, casar e ter filhos, quando elas os têm, ainda enfrentam uma série de desafios. Segundo a OMS, aproximadamente 830 mulheres morrem todos os dias por causas evitáveis relacionadas à gestação e ao parto no mundo e 99% de todas essas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. Embora o Brasil não tenha alcançado a meta número 5 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecidos internacionalmente em 2000, que previa a redução até 2015 da mortalidade materna para 35 óbitos por 100 mil, houve uma redução, entre 1990 e 2015, de 143 para 62 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Entretanto, a taxa voltou a subir em 2016, para 64,4. Países desenvolvidos apresentam taxa de mortalidade materna de 12 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Cerca de 92% dos óbitos maternos poderiam ser evitados se os serviços de saúde oferecessem uma assistência obstétrica baseada em evidências. Além disso, a violência obstétrica, outro importante agravo à saúde, decorre exatamente disso: de uma assistência iatrogênica, obsoleta e não respeitosa, onde – assim como o parto – também é atravessada pelos marcadores de classe, raça, etnia e sexualidade.

Os homens também têm o seu papel definido na linha de produção da vida, papel esse que não contempla as transmasculinidades e outros arranjos familiares não heteronormativos. Essa normatividade perpassa todas as esferas do mundo social, estendendo-se também para o campo científico e de produção de conhecimento. Percebendo como estratégica a soma de ações como a ampliação legal dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, o investimento em formação de pessoal e o avanço de movimentos feministas; e entendendo a importância de revisitar esses temas sob outra perspectiva para a construção de novas epistemologias que possam subsidiar mudanças efetivas, lançamos este edital com a finalidade de publicar um dossiê composto por artigos que discutam o tema da reprodução, partos, maternidades e paternidades no Brasil e na América Latina, com contribuições de pesquisadoras e pesquisadores das áreas de ciências humanas e sociais e ciências da saúde, bem como ativistas e lideranças que atuem diretamente com a temática. O dossiê será organizado por eixos temáticos e os textos deverão tratar a temática em suas interfaces com discussões sobre um dos eixos.

 

1) A proposta de artigo deverá conter os seguintes itens:

 

1.1) Título do trabalho em português e em segunda língua (inglês ou espanhol);

1.2) Nome(s), titulação quando pertinente e vínculo institucional ou organização da qual faz parte;

1.3) Resumo em português e segunda língua (até 400 palavras em um parágrafo único);

1.4) Cinco (5) palavras-chave em português e segunda língua;

1.5) Corpo do texto com no máximo dez (10) páginas, exceto as referências, que não serão contabilizadas no número de páginas e não tem limite; notas, tabelas, quadros e gráficos, quando utilizados, devem estar em conformidade com as orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT e com o Manual de Estilo Acadêmico da UFBA (disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/14310/1/manual%20de%20estilo%20academico-2013%20Repositorio2.pdf). Os textos devem ser compostos, necessariamente, dos seguintes elementos: introdução – parte inicial, que compreende a delimitação do assunto tratado, os objetivos do trabalho e outros elementos para situar o tema abordado; desenvolvimento – parte principal, na qual são feitas a exposição concisa do assunto tratado e a análise das informações utilizadas, podendo dividir-se em seções e subseções, conforme a abordagem do tema e do método, que deve ser explicitado; considerações finais – parte final, em que são apresentadas as conclusões e, opcionalmente, os comentários adicionais; referências bibliográficas de acordo com as normas da ABNT.

1.6) As propostas de artigo deverão ser inéditas, portanto não podem ter sido publicadas anteriormente. A remessa espontânea de qualquer contribuição inédita implica automaticamente a cessão de direitos autorais (reprodução/divulgação) a Cadernos de Gênero e Diversidade, assim autorizada a publicá-la. Reservados os direitos da revista, fica autorizada a reprodução posterior desses trabalhos, sob a condição de que seja mencionada a publicação original na Cadernos de Gênero e Diversidade, inclusive em caso de tradução.

1.7) A política de retratação, preocupação, redundância, dentre outras seguirão as orientações do COPE disponíveis emhttps://publicationethics.org/files/retraction%20guidelines_0.pdf.

1.8) As propostas de artigo que não estiverem de acordo com as orientações fixadas poderão ser rejeitadas.

1.9) Os artigos devem ser desenvolvidos a partir dos seguintes eixos temáticos:

1.9.1) Parto e suas intersecções: classe, raça, etnia e sexualidade;

1.9.2) Violência obstétrica; 

1.9.3) Transparentalidades;

1.9.4) Processos de formação em obstetrícia, ciências e tecnologias;

1.9.5) Direitos sexuais e reprodutivos e movimentos feministas.

 

2) Sobre os critérios de avaliação

 

Serão considerados como critérios fundamentais da avaliação:

2.1) A originalidade, atualidade e relevância da proposta;

2.3) Clareza e coerência da proposta em relação aos eixos temáticos do Dossiê;

2.4) A abrangência da temática proposta, de modo a permitir, inclusive, a diversidade regional e internacional dos artigos;

2.5) Adequação à política editorial da Revista Cadernos de Gênero e Diversidade;

2.6) Após avaliação dos artigos pela comissão editorial, os autores serão informados acerca da necessidade ou não de correções e dos prazos para efetuá-las. Caso o autor não cumpra com o prazo de correções, o artigo não será publicado neste dossiê.

 

 

 

 

3) Sobre o calendário e etapas de avaliação

 

3.1) As propostas deverão ser enviadas em formato .doc ou .docx à Revista Cadernos de Gênero e Diversidade até as 23h59min do dia 10 de fevereiro de 2019, através do portal da revista, sendo obrigatório preencher o formulário de cadastro no sistema, disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/cadgendiv/user/register, conforme o que segue: Título do documento em .doc ou .docx: Proposta de Dossiê 1 - Reprodução, Partos, Maternidades e Paternidades;

3.3) As propostas serão avaliadas por pareceristas indicadas/os pela Comissão Organizadora do Dossiê, composta por Naiara Maria Santana dos Santos Neves e Giovanna De Carli Lopes;

3.4) O resultado será divulgado até dia 15 de junho de 2019.

 

4) Sobre a política editorial relativa aos dossiês

 

4.1) Serão selecionados oito (8) artigos para este dossiê;

4.3) O dossiê, para ser publicado, deverá atingir no mínimo 3 artigos com pareceres favoráveis;

4.4) Os casos omissos serão analisados pela Organização do Dossiê.

 

 

Salvador, 05 de Outubro de 2018

 

Naiara Maria Santana dos Santos Neves

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFBA

Comissão Organizadora dos Dossiês Temáticos

 

Giovanna De Carli Lopes

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da UFBA

Comissão Organizadora dos Dossiês Temáticos