Relações de força e disciplina: a tecnologia do poder em Foucault

Diego Moraes Guimarães

Resumo


Considerando que Foucault analisou tipos diferentes de poder – poder jurídico, poder disciplinar e o biopoder; queremos nesse momento explorar a ideia do poder enquanto relações de força e em seu aspecto técnico, isto é, o poder de tipo disciplinar. Para isso, nos baseamos nas
obras Vigiar e punir (1975) e A vontade de saber (1976) procurando examinar a nuance disciplinar do poder e de que modo ela nos oferece a chave interpretativa para que se possa compreender a capacidade de produtividade, que, de acordo com Foucault, define os procedimentos de
poder elaborados nos séculos XVIII e XIX. Nessa direção é que destacamos em Vigiar e punir, como Foucault associa a noção de disciplina às instituições sociais como escolas, fábricas e prisões; definindo-a como operações que se sustentam por meio do controle do corpo. Já em A
vontade de saber, utilizamos da hipótese foucaultiana de considerar as relações produtivas entre poder e sexo, por exemplo, em detrimento de pensá-las em termos de repressão sexual. Isso porque, Foucault em sua genealogia das relações entre o poder e o sexo defende a ideia de
haver uma proliferação, uma incitação por parte do poder às questões relativas à sexualidade e, não apenas a censura. Nesse sentido é que Foucault propõe a temática da sexualidade como modelo para pensarmos as relações de poder como produtivas, justamente, porque melhor
exemplifica o aspecto producente do poder, uma vez que a sexualidade aparece como um dos principais alvos de especulação das operações disciplinares na produção do controle individual. Contudo, nos servimos para pensar o poder disciplinar tanto a partir da noção de disciplina,
entendida como atividade de controle sobre os corpos, quanto do caráter produtivo do poder na relação histórica entre poder e sexualidade.

Palavras-chave


Poder, Disciplina, Sexualidade.

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