O problema da essência humana em Marx

Gedeão Mendonça de Moura

Resumo


Por que a noção de essência ou natureza humana [menschliche Wesen/Natur] em Marx é um problema de ordem teórico-filosófica? Pelo seguinte: para que uma teoria materialista e histórica seja, de fato, mais profícua e consequente, acredito que uma noção essencializada de homem não contribui muito para o seu desenvolvimento, na verdade, pode até mesmo prejudicá-lo. Como algumas das proposições básicas, que são os esteios dessa teoria, afirmam que “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência” (MARX, 1974, p. 136); ou que não se trata de explicar “a práxis [isto é, a realidade material e social] partindo da ideia”, mas sim de explicar “as formações ideais a partir da práxis material” (MARX & ENGELS, 2007, p. 43), não vejo como é possível conceber qualquer conceito de modo fixo, menos ainda o conceito de homem. Ora, assim como encontramos importantes indicativos do materialismo de Marx no conjunto de toda sua obra, o mesmo ocorre com o seu conceito de homem, cujo propósito é estabelecer aquilo que o homem é essencialmente, já que ele se ocupa da descoberta da natureza desse ser. E como, além disso, as relações de produção atuais negam a essência do homem, esta somente se atualizará no futuro, quando as formas de produzir, uma vez transformadas, se adequarão a ela. Desse modo, o conceito de homem que daí decorre se revela a priori e escapa à história, cuja teoria materialista do próprio Marx assegura que a ela nada escapa.

Palavras-chave


homem; essência; natureza; materialismo.

Texto completo:

PDF

Referências


MARX, Karl. “Reflections of a Young Man on the Choice of a

Profession”. In: Marx & Engels Collected Works. Vol. 1. Trad. Clemens

Dutt. London: Lawrence & Wishart, 1975a.

__________. “Comments on James Mill, Elémens d’économie

politique”. In: Marx & Engels Collected Works. Vol. 3. Trad. Clemens

Dutt. London: Lawrence & Wishart, 1975b.

__________. “Critical Marginal Notes on the Article ‘The King of

Prussia and Social Reform. By a Prussia’”. In: Marx & Engels Collected

Works. Vol. 3. Trad. Clemens Dutt. London: Lawrence & Wishart,

b.

__________. Manuscritos Econômico-Filosóficos. Trad. Jesus Ranieri.

São Paulo: Boitempo, 2004.

__________. “Ökonomisch-philosophische Manuskripte aus dem

Jahre 1844”. In: Karl Marx - Friedrich Engels Werke. Band 40. Schriften

und Briefe, November 1837/August 1844. Berlin: Dietz Verlag, 1968.

__________. Para a Crítica da Economia Política. Trad. José Arthur

Giannotti e Edgar Malagodi. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

__________. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro III. Trad.

Reginaldo Sant´Anna. 3ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

__________. “Das Kapital: Kritik der politischen Ökonomie”. Buch III.

In: Karl Marx - Friedrich Engels Werke. Band 25. Berlin: Dietz Verlag,

MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. Trad. Rubens

Enderle, Nélio Schneider e Luciano Cavini Martorano. São Paulo:

Boitempo, 2007.

__________. “Die deutsche Ideologie”. In: Karl Marx - Friedrich Engels

Werke. Band 3. Berlin: Dietz Verlag, 1978.

SCHAFF, Adam. O Marxismo e o Indivíduo. Trad. Heidrun Mendes da

Silva. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.