Antiapriorismo e Crença nas Questões de Fato sobre o Futuro em David Hume

Lucas Jairo Cervantes Bispo

Resumo


O presente texto tem por objetivo expor considerações gerais e introdutórias a respeito do antiapriorismo, do que é a crença, como se forma e qual o seu papel nos raciocínios de causa e efeito acerca das questões de fato sobre o futuro na obra Investigações Acerca do Entendimento Humano (1748), do filosofo moderno David Hume (1711-1776). Na referida obra há uma distinção entre relações de ideias e questões de fato para categorizar os objetos da razão ou investigação humana. À primeira categoria Hume reserva a independência da experiência e aquilo que nosso juízo pode demonstrar; e à segunda a dependência da experiência cujo contrário pode ser concebido sem que implique numa contradição e, portanto, seja incapaz de ser demonstrado. Dessa distinção decorre uma consequente obscuridade quanto ao que nos dá garantias nas questões de fato acerca do futuro. A partir disso apresentar-se-á em linhas gerais primeiramente a negação humeana de que é a razão a priori o que nos dá garantias quanto ao que no campo da contingência ocorrerá ou não no que se refere às relações de causa e efeito. Em segundo lugar, será apresentado também a resposta positiva desse autor, ou seja, acerca do que nos daria - se não é a razão a priori - garantias, para além do testemunho presente de nossos sentidos ou dos registros de nossa memória, quanto a qualquer existência real de coisas
e qualquer questão de fato, que, como será argumentado, trata-se de um processo que resulta na crença. Com isso também será destacado como o que nos parece óbvio e racional pode ser inevidente e objeto de crença e, portanto, podemos estar, em nossos julgamentos, práticas e certezas, pensando saber o que não sabemos.

Palavras-chave


Questões de fato. Antiaprorismo. Crença.

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Referências


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