Ser ou não ser japonês? Um processo identitário em construção

Adriana Capuano de Oliveira, Danielle Yura

Resumo


Este artigo analisa os processos identitários vivenciados pelos imigrantes japoneses no Brasil no século XX, ressaltando o período de privações e discriminações enfrentadas por eles durante a Segunda Guerra Mundial. A marginalização dos japoneses acarretou a união desses imigrantes em torno de associações de caráter ultranacionalistas, como a Shindo Renmei. Essa conjuntura fortaleceu ainda mais o sentimento de ser um japonês que vive no Brasil, mas é um súdito fiel e leal às autoridades japonesas. Décadas mais tarde, quem perderia a guerra – dessa vez econômica – seria o Brasil, e os descendentes de japoneses viviam o fluxo inverso de seus pais e avós. Contudo, enquanto no Brasil são tratados como “japoneses”, no Japão vivem a estranha experiência de serem brasileiros com “cara de japonês”. O artigo está alicerçado em pesquisas teórico-empíricas das autoras que trazem à tona questões relevantes, como o impacto das restrições, censura na formação de identidades e o dinamismo do sentimento de pertencimento, que molda-se de acordo com o contexto histórico que o representa.

 

 


Palavras-chave


Palavras-chave: identidade – imigrantes japoneses – discriminação – Segunda Guerra Mundial – Shindo Renmei.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9771/aa.v0i59.24602

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